sexta-feira, 9 de julho de 2010

Contando um conto - PARTE II

Rir. Rir muito. Loucamente, sem vergonha nenhuma. Era essa a vontade que Sebastião tinha toda vez que olhava para ela. Mas não era rir de deboche, para inferioriza-la. Era rir do seu jeito, ou melhor da sua falta de jeito, da sua fala, igualmente sem jeito. Eu não sabia por que mas havia muita graça nela. Porém só de pensar que alguém poderia rir dessas mesmas coisas, mas com o intuito de curtir uma com a cara dela, ele se emputecia. Não achava certo.

Ela a via somente umas duas vezes por semana, era advogada, ou como diziam, doutora. Tinha duas pós graduações, era especialista em direito do trabalho. Mas sabe aquela pessoa que você olha e não dá nada por ela. Pois era esse o tipo dela, certo Sebastião? Sempre muito simpática, bem vestida e cheirosa. Ah, seu cão farejador, cheiros lhe tiram do sério. Seria aquele cheirinho que só é sentido em algumas ocasiões especiais. Brincadeira. Prossiga. Ficava imaginando ela nas audiências, ou lhe dando com algum casca grossa. Não sei a sua idade, mas aparentava ter entre 30 e 35 anos. Quando colocava os óculos parecia mais nova. Sempre carregada de pastas e papeis. Não gostava de incomodar ninguém. Entrava manso nas salas, isso era uma das partes mais engraçadas, nunca vi uma advogada tão contida. Não gostava de incomodar ninguém. Ela não tinha nem ajudantes, todos os poucos que tinha contato com ela nutriam muito respeito por ela. Ele, que a via pouco, nutriam talvez mais do que isso.

Rir descaradamente. Sorrir suavemente logo depois. Respectivamente as primeiras e segundas impressões de um contato com ela. Apesar da idade dela era inevitável a vontade de não querer lhe dar a mão para ele não cair de repente atabalhoada de pastas de processos, e para que outros não rissem dela com deboche. Conversar com ela, próximo, lógico, quero sentir aquele perfume, isso se não for cheiro natural dela. Rir de alguma coisa sem nexo que ela poderia falar. Deixa-la encabulada para logo depois lhe dar um abraço e um beijo e chama-la de boba. Se ela fosse casada, que pelo menos seu marido a tratasse bem assim. Sebastião, a graça talvez estivesse na pureza que você tenha atribuído a ela. Num lugar de tantas pessoas saturadas, ele talvez fosse a que menos aparentasse esse desgaste. Ela não se encaixava naquele ambiente, com aquelas pessoas. Era felicidade que sentia quando a via. Não rir com ela e sim rir para ela e com ela.

Muitas vezes me flagrei pensando em dizer. Ei, eu também me sinto um peixe fora d´água aqui. Vamos fugir. Pode deixar seguro a sua mão para você não cair.” .Ridículo. Mas era tão educada que o máximo que poderia fazer seria rir e dizer um não muito gentil. Mas mesmo assim eu ainda acharia graça, mesmo assim meu apreço por ela continuaria.

Ela entrou na sala, bem devagar. Encostou no biombo que separa minha mesa da do chefe. Perguntou baixinho se ele estava lá, fez gestos (ou tentou fazer). Só disse que não e sorri. Ela perguntou se podia imprimir uns papéis. Mas é claro que pode. Lhe indiquei um micro onde poderia fazer. Ela está com uns problemas. Precisa de ajuda. Claro que vou ajudar. Claro que vou sentir seu perfume. Claro que vou puxar assunto. Claro que depois vamos fugir.

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Contando um conto - PARTE I

Sebastião pensou em como seriam todas as cores do amor alguns instantes antes dela entrar no quarto. Pensou nas músicas do amor, nas poesias, nos dias, pensou em tudo com amor. Mas não conseguiu. Afinal o que ele estava para fazer não envolvia amor, só uma paixão urgente que precisava ser satisfeita. “Dois minutos” foi o que ela havia lhe pedido. Dois minutos que num momento de amor poderiam durar uma eternidade, mas naquele instante era só mais uma espera. Não havia nada de mau nisso, tirando o fato de ter aberto uma brecha por onde Sebastião ousou respirar os ares do pensar. Era inevitável não pensar no porque de estar fazendo aquilo. E mais impressionante sem o apoio ou a espera de alguém, movido por seu próprio desejo e guiado por nada mais do que suas pernas e pelo odor que só pode ser sentido por alguém cheio de desejo. Um odor impregnando ao ar que respiramos, porém só sentido em ocasiões demasiadas urgentes. Um odor que logo após a realização do desejo se esvai e nem lembramos mais com ele era. E talvez essa tentativa de tentar voltar a ele é que nos instigue a sentir desejo novamente.

Só, lá dentro e lá fora, sem ninguém para espera-lo e compartilhar de tal experiência. Para muitos uma finitude perversa, mas para Sebastião uma infinitude até então nova. Era supremo naquele espaço e tempo. Era capaz de ir além só, era capaz de fazer, sair e seguir. Nada de relatar, fantasiar, contar minucias, era até bem simples. Era impossível não pensar. Não, você não deve pensar assim, era um ritual, era crucial, havia toda uma mística milenar que nem mesmo Sebastião num excesso de racionalidade podia romper. Imaginem os deuses, as gerações anteriores, de seus altares observando toda aquela situação e vendo-o desdenhar de tudo aquilo.

Um ato que inspirou histórias, canções, obras de arte, não, por que para ele seria assim tão simples. Talvez seu próprio excesso de racionalidade fosse uma manifestação da crucialidade desse momento, já lera histórias onde muitos agiram assim e na hora se entregaram, com ele não seria diferente.

Como ela era? Que diferença fazia. O que ela pensava? Por que se importar. Talvez se ela estivesse disposta a contar ele até ouvisse. Mas não era a situação para isso. Mas quem sabe um dia, uma hora ou uma noite. Pânico. Como poderia fazer isso sem saber mais nada dela. Sair, correr, despistar. Calma Tião, não é para tanto. Tente ser igualmente agradável. Garanto que ela será também. Passos, não há mais ninguém, só pode ser ela, como passam rápido dois minutos quando estamos nos divertindo, não é mesmo Tião. Agora ele a vê, não como ela é, mas como ele quer que seja. Ah, olha o aroma, ele procurou por isso o dia, a tarde, a noite quase toda. Mas confortável e seguro impossível.

Viu não falei, se entregou se deixou levar. Era tudo isso que ele queria. Para que se encucar. Tem horas onde o deixar levar é essencial. Pronto. Satisfeito? Claro, não tinha por que não estar. Seja educado, cumprimente e saia, discreto, mas sempre ele sorri, é incorrigível. Uma vez ele leu que bastava isso para se ficar o resto do dia triste. Mas era de noite, ainda ia demorar para amanhecer, não havia um dia, só a metade de uma noite. Então tristeza era algo impossível de ser sentido naquele momento.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Pelo caminho

A cada dia que passa as pessoas estão mas experts em deixar coisas pelo caminho. Ou seja, tudo inacabado, sem nem sequer chegar na metade
A culpa (sim hoje acordei com vontade de culpar) pode ser da globalização. Enche nossa mente com informações e idéias mil a todo instante e nos leva a crer que esse dinamismo deve ser aplicado em nossas mentes. E toma pensar em mais idéias diferentes do que somos capazes de processar, executar mais projetos do que somos capazes de realizar. Afinal num mundo onde tudo é jogado numa red mundial pode ser taxado como "idéia" é natural nos acharmos capazes moldarmos efetivamente um pensamento por minuto, como se fosse fácil
O resultado disso ? Pode ser ilustrado pela frase "quem muito quer nada tem".O resultado é só ansiedade e frustração.
Achei outro culpado, mais precisamente uma dupla, e das mais terríveis, comodismo e preguiça. Acho que 50% das pessoa desta budega sofrem disso. Pensam em viver bem só com um necessário para nunca precisarem de ousadia e responsabilidade. Qualquer anseio ou vontade, para alguns uma anomalia para outros uma dádiva/maldição, logo são comatidos pela preguiça. O engraçdo nessas pessoas são os recursos a sua disposição, capacidade, o sempre promissor inicio e logo em seguida param.
Existe mais um culpado, esse na real, nem sei se faz parte deste plano físico É uma "força oculta" poderosissima, capaz de criar os maiores e mais absurdos empecilhos contra todos com muita vontade,capacidade, reação, boas idéias. Porém... ficam só nisso. Algo "sem explicação" nunca deixa essas pessoas porem em prática suas idéias ou executarem seus projetos.
A vontade de desistir é um entorpecente. A grande maioria de quem desiste sente um alívio, num caso mais extremo é um orgasmo quase. Sabe, deixar pra lá, dizer estar dando murro em ponta de faca, combater contar algo que não se pode ver, mas sabe da sua capacidade de atrapalhar...sensação boa a de deixar lá pelo caminho.
Já deixei muita coisa para trás. Algumas retomei e ternei. Outras realmente não valiam a pena, era só uma questão de esforço mau direcionado mesmo. Outras me pergunto se um dia vou voltar a elas. As vezes já quis tanto, lutei, perseverei e quando consegui simplesmente perdeu a graça de tanto que quis
Sabem o que faço hoje me dia para não deixar nada pelo caminho...só o necessário, ou seja um pouco de nada.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

LA VI EN ROSE (PARTE V): TUDO SÃO FASES

A frase acima é de praxe quando estamos passando um mau momento na vida, serve para lembrar que é passageiro. Poucos ousam dize-la num bom momento, para catucar e lembrar "aproveite pois daqui a pouco pode não ter mais"

Tem sempre uma fase ou outra para nos marcar. No meu caso foram duas: quando eu tinha entre 15 e 18 anos a fase do "eu vou saber e fazer de tudo e encontrar a grande verdade" e outra, esta terminada muito recentemente, a fase do "beber,cair e levantar". Na primeira era muito idealista, acreditava piamente que uma misteriosa força me guiava para uma utopia onde poucos tinham acesso e lá encontraria a grande verdade. Na segunda foi a fase do extravassa, farra sempre que podia (e não podia), bebedeira gratuita e outras coisas mais, que por uma questão de bom senso e para não ofender sensibilidades alheias não vou publicar aqui (fica para uma próxima)

Sai da primeira fase por um motivo: aprendi a ter paciência, passei a ser menos ansioso e afoito. Não dá para abraçar o mundo com as pernas (nem a Ana Hickman com aquele par de pernas maravilhosas consegue fazer isso). Querer tudo ao mesmo tempo e agora para que ? E o depois ? E para amanhã e para os outros ? E o que fazer com a grande verdade ? Nem sei sua finalidade (e agora penso será que ela existe ?). Prefiro, em partes, a delicia das incertezas. Da segunda fase sai por simplesmente ter cansado. Fiz coisas inacreditáves, tipo histórias para contar para os filhos e netos e relembrar com os amigos

Atualmente estou entrando numa fase sóbria e responsável. Menos ansioso, poucas dúvidas e um mais certeza de finalmente estar acertando aquilo que quero da vida. E faço isso sem parecer utópico ou idealista, é só meu caminho

O grande barato, ou seria ignorância mesmo, era minha descrença nas fases da vida. Em muitas horas tudo sempre me pareceu muito absoluto "eu sou assim, a vida é assim e pronto". Gosto muito de História, ela estuda mudanças e transformações numa sociedade e ajuda a captar como essas mudanças podem afetar os individuos de uma sociedade e de um tempo. Estudando-a aprendi a ver e identificar essas mudanças e até mesmo a aglutina-las num período temporal com as mesmas características. Só não aprendi a detectar mudanças em mim e as vezes até aceitar. Não tenho complexo com relação a nada que é novo, porém me incomoda quando esse novo passa a exigir de mim uma certa mudança de comportamento. Não para aceita-lo, e sim para entende-lo, e partir daí formular todo um pensamento para aceita-lo, ou não e meus motivos.

Hoje vendo com certo distanciamento temporal, realmente tudo são fases. Chegam, dão seu recado, ou fazem seu estrago e saem à francesa. Coitado de quem não as percebe, ou no meu caso, as aceita.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

O BRUXO QUE COMANDO A RESSACA

Hoje, 29/09/2008, é o centenário da morte de Machado de Assis, um dos maiores expoentes da Literatura em lingua portuguesa. Não vou fazer uma explanação sobre sua obra, não sou nenhhum especialista "machadiano", nem comentar todas as suas obras, afinal só li dois livros seus "Dom Casmurro" e "Memórias Póstumas de Brás Cubas" e alguns contos.Ficar aqui e enumerar todas as suas qualidades como escritor e contribuidor parqa lingua portuguesa seria no minimo redundante e até deselegante, algo tipico de Faustão. O que me leva a citar essa data tão solene aqui é pela sua importância e pela admiriação que tenho por esse escritor. O texto a seguir é mais de um fã e curioso do que de um especialista.



Dizem que ler Machado de Assis é entender um pouco daquele Rio de Janeiro em fins de Império e inicio de República. Machado o faz sem se referir diretamente e indiretamente a nenhum evento histórico que norteou aquele época. Seu Rio de Janeiro é o mais destópico possível. Somos conduzidos pelas ruas dessa capital provinciana e pretensiosa, sem ser direto em apontar um evento histórico especifico Machado acerta em cheio o leitor quando lhe sugere tentar entender o Rio só pelas passagens que retrata em situações tão corriqueiras daquele período, em poucas palavras são sintetiazados usos e costumes. Particularmente a cada página eu vou moldado na minha cabeça aquele Rio de Janeiro pelo ponto de vista do autor e suas personagens.

Os personagens são um show a parte. O deboche e descaso de Brás Cubas é dar inveja a qualquer cinico ou politico. Sem meias palavras ou moralismo Brás Cubas se converte numa quase paródia de sua época e cultura. Poucos personagens se permitiriam a compreensão que Brás Cubas tem, enquanto o prórprio não se importa, daí emana sua solidão e melancolia, Sim eu o acho um melancíolico e amargurado com algo, percebido de acordo com o ponto de vista de quem ler. No meu caso eu o acho amargurado por não ter tido a oportunidade de falar aquilo que todos falam, fingir como todos fingem. Ser comum.

Agora Dom Casmurro é um caso a parte. Quem leu, e quem nunca leu, sempre se pergunta "Capitu traiu ou não Bentinho ?" Sinceramente isso não me importa tanto. Como um romance psicológico, Machado o escreve de forma abrangente,infática e sem ser pendante (os personagens dele são assim, agora Machado nunca). Como não rir de Bentinho e suas neuroses, ciúmes e manias. Como não se deleitar a casa descrição de Capitu. Aliás isso é o mais fenomenal, uma descrição mais abrangente de cara ("olhos de ressaca") e outras vão a complementando. É como se Bentinho recordasse dela aos poucos, ou por se tratar de memórias, pode ser entendido como alguém exorcizando seus demônios dos poucos e por isso vai merdendo gradativamente o medo de recordar e descrever. Ao mesmo tempo em que surge a pergunta, o quanto daquilo é real e o quanto é imaginação de Bentinho, vide a dúvida sobre a traição de Capitu.

O que é mais chocante nessa obra ? Fico lá imaginando o pobre Bentinho, sempre apaixonado por Capitu e de repente com a dúvida na cabeça a respeito de sua cornitude. Também me remoe saber como era exatemente o caráter de Capitu. Em nenhum momento Bentinho a idealiza, as tenho a impressão de suas memórias serem o requiem para a sanidade e a perspectiva do ser humano. Sua visão sobre ela transforma-se com o passar do tempo. É uma espiral decrescente do inico ao fim. Nada foi por acaso, ou de uma hora para outra. Penso sobre a traição, sobre o desvairio de Bentinho, o amor deles. Muito embora ache todas as situações de um humor negro impecável, há a tristeza, decepção. Se for lido com o espirito de emoção, é para levar as lágrimas. Se for lido com espirito de Brás Cubas é para rir, nada de gargalhar, apenas rir.

Não li Esaú e Jacó, Memorial de Aires ou Quincas Borba, por falta de tempo e uma certa preguiça. Mas assim que puder irei le-las e quem sabe rir ou me emocionar.


Bem fica aqui minha homenagem a Machado de Assis, e minha recomendação para lerem suas obras. Vale muito a pena.


Beijo na alma e inté


terça-feira, 16 de setembro de 2008

LA VI EN ROSE (PARTE IV): UM TOQUE DE VIDA

Meu umbigo gira e o mundo precisa acompanha-lo. Vamos nessa


Não tenho nenhum vicio televisivo. Não acompanho novelas, dificilmente vejo algum filme na TV e seriados não são muito minha praia (com rarissimias exceções). Só recorro a TV para ver Chaves e o Pica-Pau. Quando ficava de bobeira em casa durante a semana via "MEU AMIGO DA ESCOLA É UM MACACO" "JOHNNY BRAVO" E "AS TERRIVEIS AVENTURAS DE BILLY E MANDY" (como faz uma data que não fico em casa durante a semana será que esses desenhos ainda persistem ?). E como não poderia deixar de ser já tive minha fase de fissura em animes "DRAGON BALL" "CAVALEIROS DO ZODIACO" e por ai vai.

Seriados costuma ser quase tão enfadonhos quanto uma novela. Embora tenha gostado muito da 1º e 2º temporadas do "24 HORAS". A pouco tempo uma amiga me falou de um seriado a TV a Cabo (não tenho esse privilégio) chamdo "PUSHING DAISIES". Li algumas coisas a respeito e vi algumas fotos. Com uma premissa interessante e um visual que mistura filmes do Tim Burton com "O FABULOSO DESTINO DE AMELIE POULAIN" resolvi alugar a primeira temporada. Não deu outra, virei fã.

A história é a seguinte. Ned é um cara que quando ainda criança descobriu ter um dom incomum. Pode ressucitar as pessoas com apenas um toque. Porém se ele tocar um ressucitado novamente a pessoa morre para sempre. Se essa pessoa fica viva por mais de um minuto outra pessoa próxima morre aleatóriamente. Ned temendo os percalçõs que tal habilidade pode trazer procura se isolar um pouco. Monta uma loja de tortas e procura viver sem miores problemas. Até que num belo dia um detetive particular chamdo Emerson descobre sua habilidade e propõe a ele uma sociedade. Em casos de assassinato os quais são oferecidos recompensas para quem desvendar o crime, Ned e Emerson ressucitariam a vitima por um minuto e perguntariam quem a matou e por que. Recebida e recompensa esta seria dividida e tudo ok.

Tudo ia de vento em polpa. Um dia ao investigarem o assassinato de uma garota, Ned descobre conhece-la, é Chuck, seu primeiro amor ainda na infância, do qual foi afastado (por um motivo que não será revelado aqui). Não demora para o amor falar mais alto e Ned meter os pés pelas mãos. Ela a ressucita e não a mata de novo, decide viver com ela. O que vem a partir daí só vendo para crer.

O grande barato, além do tom jocosamente exagerado ( a série conta com um narrador hilário) e seu visual no melhor livro infantil com gravuras, "PUSHING DAISIES" tem sua força na relação de Ned com Chuck. Sem poderm se tocar, pois isso acarretaria na morte definitiva dela, são extraídos dessa relacionamento as situaçõe mais engraçadas, românticas e por que não filosóficas

A impossibilidade desse contato físico faz os dois elaborarem formas criativas, seja com atos, gestos ou palavras, para demonstrarem e viverem esse amor. A falta do toque é só um detalhe, ora incômodo, ora cômico, mas nem por isso insuperável. Eles não são um casal "down" (só as vezes, faz parte). Não gastam a saliva discutindo a relação, é simples, eles se amam, já deixaram isso bem claro um para o outro, é o famoso dito e feito e pronto.

É inevitável não evocar as imagens desses casais de hoje em dia, que nem um toque, gesto ou olhar, sonseguem expressar seus sentimentos pelo próximo(a). São praticantes da doutrina do "coração calado". Aguardam o épico dia em que aquele(a) que amam irá descobrir o sentimento do outro e se entregar. esqueceram-se de falarem, soltar o verbo, esse sempre será o melhor meio.


Alguns não dizem nada por temerem usar palavras repetidas. Bobagem. Todas as palavras já foram ditas ou escritas, e estão ai para isso. O diferencial sempre será a forma como a mensagem for dirigida, o peso será avaliado pela intensidade do seu coração em exprimir essas palavras. Isso sempre será o inicio, ou o fim caso não seja bem interpretado ou não-correspondido. Ned e Chuck vivem o amor de atmosfera, estar ao lado de quem se gosta, conpartilhando um espaço, um momento ou palavras de carinho. E o fazem sem melancolia (embora as vezes seja preciso no amor). Não há volúpia, torpor ou transgressão, é simplesmete amor. E isso jamais seria possível se ambos não dissessem, assumissem. Esqueça o "tão perto e tão longe". Existem pessoas que mesmo com todo o contato físico possível parecem sempre estar longe, isso é devido a falta de comunicação, a palavra minguada.

O amor é uma cruzada em busca da melhor forma de amar. Quando na verdade não há necessidade de ser ir tão longe, está tudo tão próximo. É só uma questão de dizer com a voz do fogo do coração, aquela que dissipa todas as dúvidas e medos. Ned e Chuck o fazem constantemente, por isso apesar da situação incomum são bem resolvidos. O lance é dizer. "O que virá depois disso ?" vocês podem estar se perguntando... é só viver e descobrir, será como um toque de vida.




Beijo na alma e inté

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

LA VI EN ROSE (PARTE III): DOIS LADOS,UMA DISTÃNCIA E UMA MENTE

Aqui estou eu para falar dos maravilhas que cercam meu umbigo



Já faz alguns dias, indo para para o trabalho, isso eram umas 7:50 da manhã, passei em frente a creche do Colégio Santa Mônica em Bonsucesso. Reparei numa mulher, devia ter lá pelos seus 30 anos. Não reparei nela por um acaso e sim por ser bonita, dessas belezas de tão simples chegam ao ponto de serem raras. Era branca tinha longos cabelos castanhos claros e vestida bem social. Na mão esquerda trazia o filho e na direita as coisas da criança, uma mochila e uma merendeira.

Ela havia saido de um carro, no qual eu só me lembro da cor, era branco. Este havia parado em frente ao portão da creche. Ao chegarem junto ao portão a mãe tocou a campainha. Nesse instante o carro afastou-se um pouco pelo meio-fio. Ouvi o garotinho reclamar "cadê papai ?" A mãe falou algo que não captei, pois já havia passado por eles. Pois bem, segui meu caminha. Passando por debaixo da Linha Amarela, junto a saída 07, um sinal de trânsito fechou, um carro parou. Dele saiu uma mulher batendo a porta com uma certa força e andando firme com cara de poucos amigos, era a mulher que eu vira a pouco saindo do carro branco. Ela atravessou a rua e foi na direção de um ponto de ônibus que fica ali mesmo na saída 07. É um raio de ponto que vive lotado e onde passam umas conduções para Jacarepagua, Curicica, Pechincha, Barra, Recreio, todas igualmente cheias. O carro disparou pelo caminho em que seguem todos os ônibus que passam ali no ponto da saída 07 para retornarem a Linha Amarela.


Eu fiquei ali, parado igual e um idiota olhando aquilo tudo, e imaginei um porrilhão de coisas. Não sem antes amaldiçoar o maldito motorista do automóvel branco. O dito cujo seguiu pelo mesmo caminho que seguem os ônibus que passam pelo ponto da saída 07, ponto esse onde sua mulher parou para pegar um. Não faço a mais vaga idéia para onde eles iam, mas custava dar uma carona a ela.


Movido pelo pensamento acima comecei a tecer conjecturas a respeito dos motivos para ele não ter feito isso. Associei a isso as palavras do menininho, filho deles, lá atrás e pensei na mais razoável das hipotese: casal em crise as vias de se separarem, mantém as aparências por causa do filho. Na frente deles são um, por trás são outros.


Se eu não vi de menos e imaginei demais só podia ser isso. Agora fico imaginando essa criança no meio disso tudo. O coitadinho talvez não saiba explicar mas lá no fundo, a maneira dele, com certeza ele sabe, sento algo errado no ar. E talvez resida nessa sua falta de capacidade em entender os fatos próximos a ele o seu medo e suas dúvidas. Afinal são os pilares sdo seu mundo chamado familia, seu pai e sua mãe. Sentir o deslocamento de um desses pilares se deslocar para longe é no minimo aterrorizante para uma criança.


Você deve estar se perguntando, "qual o sentido desse texto ? O que você tem a ver com isso ?" Sinceramente eu não sei, talvez Freud explique, agora eu não. Só que ruminei essa situação durante dias. Depois disso todo dia ao ir para o trabalho passava em frente a creche do Santa Mônica bem devagar para ver se vejo novamente a tal mãe e seu filho, e vou assim até a Linha Amarela, olhando para o sinal e ver se ela desce de algum carro branco com cara de poucos amigos e passos cheios de uma determinação involuntária. Lamento por não ter reparado no carro, apesar que só isso não bastaria. Poderia ter memorizado a placa do carro, afinal carros brancos existem aos montes, e para quem não sabe muito bem distinguir carros, como é o meu caso, todo carro branco não passaria de só mais um carro branco. E se o sujeito trocou de carro, seria o mesmo que nada.


Bem, seja como for gostaria muito de saber o destino do tal "casal" e da criança. Quem sabem um dia dessas não esbarro com eles.

Um Beijo na alma de todos e inté