Amar é um gesto anti-natural, assim como o boxe. Em ambos os casos agir ao contrário é a chave para seguir em frente. No boxe o lutador precisa mover-se para direita se quiser ir para esquerda. Para atacar é necessário recuar. No amor quem ama jamais pode demonstrar, é entregar-se, ser fraco ou como dizem alguns "necessitado(a)". Antes de expressar qualquer sentimento deve-se "desdenhar" um pouco ou simplesmente não demonstrar.
Para o amor acontecer junto a outra(o) primeiro deve-se medir o quanto gostamos de nós mesmos. Se o amor próprio é menor se comparado ao amor sentido pela próxima(o), nem vale a pena ir adiante. Digi isso tendo em vista que o amor também é saber terminar/perder, é o equivalente do boxe a jogar a toalha, evitando assim um nocaute, a dor maior, embora das menores ninguém escape.
O boxe é um jogo de nervos, requer um estratagema, o amor idem. Precisa-se estudar o opononte. Suas potencialidades,deficiências,medos, sentir sua "técnica". Nesses dois meios há a divisão por categorias. Não sei exatemente quantas categorias há no boxe, e no amor sei menos ainda. É do conhecimento de todos a expressão "diversas formas de amar". Logo deve-se haver uma técnica para cada um manifestar seu amor. Seja maior ou menor, simples ou muito diferente,todos amam.
Talvez a principal diferença entre o amor o boxe seja a seguinte: do boxe qualquer um pode se ver livre, do amor, como todos já dever estar carecas de saber não é assim tão simples. Não se pode fugir ou esquivar do seu "cruzado", ele é implacável e nada fácil de se identificar. Quando menos se espera, BAM ! Você foi nocauteado em cheio no coração se perceber. Quando cai a ficha ninguém capta muito bem a mensagem. O dolorido do golpe só aumenta, é nessa hora que o efeito começa a surtir. É uma as poucas porradas que alguém gosta de levar.
Independente de querer lutar ou não, do amor não há escapatória ou estratégia eficiente ? É tudo muito inesperado na maioria das vezes. O vencedor jamais fica claro. Tem-se momentos de glória olimpianas e fracassos retumbantes. No amor só se apanha. Quem diz "conquistei o amor" jamais saberá seu real valor, não é possível trata-lo como um troféu. Quem resiste sofre, quem se entrega tem o sofrimento elevado ao quadrado. Quem joga a toalha acaba descobrindo que não seria capaz de trocar o desassossego doamor por qualquer outra coisa.
Aquele(a) que se entrega demais corre o risco de sofrer uma forte desagregação emocional. Fica melodioso(a) e perde a capacidade de distinguir o amor de "outros demônios". É como um lutador de boxe combalido pelo tempo e incapaz de aceitar sua condição de estéril. Deve-se buscar sempre um equilibrio. Tem horas que para o bem maior é preciso resistir, lutar contra. No boxe do amor jogar a toalha é aceita-lo, lutar é resistir a um desafio do qual você não pode encarar, ou lutar para fugir se preferir. Assim evita-se a derrota desnecessária. Acreditem certas lutas se perdem antes de começar. Um dos trunfos do amor e do boxe é saber os tipos de lutas capazes de se encarar. Assim sofre-se menos e vive-se um pouco melhor, tem horas em que tudo que necessitamos é dessa ilusão.
Quando o gongo do amor soar lembre-se é um ato anti-natural. Se você não se importa com isso, boa luta e deixe o resto para depois.
terça-feira, 19 de agosto de 2008
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2 comentários:
O que posso dizer diante desse texto ?!?!?!Simplesmente Brilhante, Renato. Nem sabia que vc entendia tanto de Boxe, e nem que vc entendia tanto de Amor. Gostei da parte principal falando sobre "primeiro amar a si próprio" , muita gente deveria ler esse parágrafo. Quem sabe não é assunto pro meu próximo post sobre Amor Próprio ?!?!?! No meu Orkut ficou uma boa parte do tempo com a frase "O primeiro e último amor é o amor próprio".
Acho qu o blegueiro que escreveu encontra-se em um dilema: "AMAR OU NÃO AMAR". Do meu ponto de vista amei e amaria qts. vezes fossem necessárias.Por ter conhecido 3 fazes do amor e a última ter sido a mais poderosa, não preciso mais procurar esta forma em homem nenhum. A forma de amar que hoje em dia está em 1º lugar (pra mim) é amar a vida, os amigo, minha familia e principalmente a MIM. Estas formas já fazem de mim um ser humano mais leve e muito mais feliz. Descobri (com a maturidade) que amarmos a nós mesmos não é só um ato de nobreza, mas sim de valorização que ninguém poderá lhe dar à altura.
Pensem nisso.
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